domingo, 28 de março de 2010

self-antropology

Mote emprestado.

Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Sá de Miranda.


O desenvolvimento desse mote é ruim. Bem ruim.
Sou eu no meu pior.

Gosto do Brasil, de verdade. Acho lindo. Os cenários naturais, a quase ausência de catástrofes - é preciso o mundo inteiro estar mal para que a gente tenha um tremor de terra -, os animais, as plantas.

Detesto os brasileiros. É um povo preguiçoso, que se impressiona fácil, que quer o que o outro tem sem esforço, que supervaloriza a brodagem sobre a competência, que não sabe ser imparcial, que evita sacrifícios.

Nem quero entrar no âmbito da política, porque ali é só a amplificação de uma característica tão arraigada que o brasileiro comum - aquele mesmo, que eu detesto - ia dizer que fica chocado, e mais uma vez não ia olhar pro próprio rabo. Estou falando é do síndico que inventa seis pinturas superfaturadas no mesmo muro no mesmo ano, da cota do churrasco, do querer se aproximar do colega que tem um audi por causa do audi, de pegar a maquiagem da bolsa da colega de vestiário porque viu que ela não trancou. Pequenas fuleiragens, denotando grandes, incorrigíveis falhas de caráter.

Daí eu confesso: sou preguiçosa. Sou. Sou e pronto. Sou índia. Faço o necessário e o correto - porque minha mãe era uma pessoa boa - para ter meu peixe com farinha, minhas miçangas, minha rede, metaforicamente falando. Mas faço. Não gosto muito não, mas é assim que funciona, e tenho muita consciência do próximo, que também quer fazer o seu, e não causaria prejuízo a outrem. Logo, me resta a preguiça, controlada mas existente.

Brasileiro é uma raça que quer ser européia a pulso, que quer ser colonizador até hoje. Quer impressionar, quer o luxo, quer que olhem e admirem, quer colar no carro aquela frase idiota de " sua inveja é meu sucesso", e coisa assim. Ele quer não ser povo, quer ser elite. PArece que no subconsciente do brasileiro a mobilidade social é invencao de livro, que brasileiro não lê, pq "quem estuda muito fica doido". Eu tenho um nojo FUDIDO!!! de brasileiro, pq é burro, escolhe continuar burro e tem orgulho disso.

E vai continuar esticando o olho pro fruto do trabalho - feito com amor ou com esforço, no meu caso - do próximo, e pensando como ele faz pra ter aquilo fácil.
Eu odeio brasileiro.

Pronto, falei.

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