eu gosto dos meus defeitos
e nesse caso não vou mentir
penso muito e acho que estou certo até o fim
repenso na direção oposta e cá estou certo de novo
e não tenho vergonha de admitir.
mudo de idéia e brigo mais pela segunda do que briguei pela primeira
canto mal e alto no carro, tiro da marcha em ladeira
corrijo concordância alheia sem que me solicitem
aumento história para ensinar lições que não aprendo
falo palavrão, posso ser manipulador, grito ao telefone, perco tempo
não sou príncipe, às vezes erro feio
e não quero que me briguem.
conheço cada um e os carrego com alguma dignidade
são meus e não emprestados, mas não os tenho por vontade
é até genuíno o esforço para ser bom e melhorar
mas se eles estão lá
se não os consigo expurgar
posso e os vou usar
em favor do que sei justo e verdadeiro
porque não sou metade, sou inteiro
nunca fui príncipe
e como todos
mereço que me amem assim mesmo.
>>escrevi esse quando morava no João Bosco, logo, entre 2007 e 2009. perdi o costume de datar certinho as coisas faz tempo. A referência temporal era com quem eu andava nessa época, logo em que série eu estava, logo que ano era. depois casei e virei cigana e minha referência era onde morava à época.
>> escrevo no masculino porque soa mais universal, mais humano.
sempre que eu escrevo no feminino parece que falta pouco para confessar que sou uma mulherzinha e que a qualquer momento vou falar de uma paixão avassaladora, a condição feminina na sociedade, intempéries hormonais ou alguma frescura do gênero.
>> ah, sim, é sim uma réplica a Pessoa.
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