filme de terror da primeira década deste nosso século é assim um porre. sangue artificial como se fosse chuva, mutilações, choro compulsivo, riso histérico, animais mutantes zumbis vampiros alienígenas com sociopatias agudas, etc.
sabe o que me dava medo de verdade?
documentário sobre OVNIs.
a revista ano zero.
e, last but not least, au contraire, o grande livro do maravilhoso e do fantástico.
é claro que eu assistia TODOS os documentários sobre OVNIs, comprava a ano zero todo mês - é verdade que não durou muito... - e adoraaaava o compêndio de título humilde supracitado. e é dele que quero falar.
era na verdade da viviane, uma das pessoas mais interessantes e adoráveis EVER na história da minha vida, que - fuleiragem! -, em nome da ancestralidade e da minoridade, voltou pra sua foz do iguaçu natal. sétima série, cdfs e felizes, andávamos nós, a liliane, de quem não tenho notícias, infelizmente, o carlos eduardo, que de vez em qdo aparece no jornal local no papel de autoridade policial, o samir, chatinho, de óculos por cima dos olhinhos verdes, engraçadinho, que posso dizer que foi minha primeira little crush.
e o livro tinha capa dura, vinho, letras em dourado, esse nome pomposo, uma linguagem rebuscada... e uma coletânea de mistérios all around the world, com ilustrações e fotografias, em folhas grossinhas e de textura quase áspera na minha lembrança. eu virava as páginas com o coraçãozinho pulando.
lá estavam o kraken, o caso de kaspar hauser, a casa na espanha onde apareciam rostos fantasmagóricos, bichos abissais, teorias da conspiração...
e eu amava o formato.
aquilo sim era assustador.
não pretendo, é claro, isolar o meu meninozinho em um mundo colorido governado pelo cachorrinho doc, embora seja um fenômeno de nosso tempo com que ele vai sim conviver. minha intenção é que ele também tenha acesso à beleza do mistério, do estranho, da linguagem usada por algumas etapas `a frente dele. assim imagino um homenzinho capaz de construir imagens mentais e sensações únicas, mais sutis, mais sugeridas, e fortes o suficiente para levá-lo além do lugar comum.
aliás, vou já procurar o livro...
nessa vastidão sem muitos mistérios que é a internê, alguém sempre tem o que vc procura... né?
Alguém tem oq vc procura, alguém procura oq vc tem. No nosso caso, um ao outro plus um bacurizinho.
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