i say no, no, no.
vi a carmina burana dia 04 último no teatro - Domau, minha boneca mamãe, me salvou o dia naquele dia - , e já tinha visto no anfiteatro dos povos da amazônia, na bola da suframa. e me impressionou como da primeira vez. eu sei quase toda a letra do trecho da fortuna imperatrix mundi, e the thing is, não concordo com NAAAADA daquilo, e ainda assim me emociona.
essa opereta *não ofensivo, é mesmo pequena* é TODA sobre a brevidade da juventude, como se deve aproveitar, como é linda a primavera, as ninfinhas, os garotões... pagã no último, e very hedonista.
Só que ela começa e termina com o trecho trágico que embalou o templo da perdição.
Ou seja, ela faz da felicidade um breve momento de pico, que deve ser explorado até a última gota - bem como canta a chá de flores -, no meio de um pântano de tristezas.
"Ó sorte, como a lua, sempre variável... Sempre crescendo e decrescendo, vida detestável (...) e já que a sorte dobra o forte chorem todos comigo...."
Pois é, me arrepia pq eu gosto de emoções bem colocadas e bem descritas, gosto do desespero ficcional alheio, me toca. Já no plano da realidade, eu sou bem mais Muzzle, do Smashing Pumpkins - sempre eles! -, e aquele senso de compreensão das coisas que só os melhores budistas ou as pessoas realmente felizes podem ter.
As all things must surely have to end
and great loves will one day have to part
i know that i am meant for this world
(...)
my life has been extraordinary, blessed and cursed and won (...)
E é assim que é.
Não é que somos atingiiiiidos por oooondas de coisas ruiiiins, porqueeeee Deeeeeus isso está acontecendo comiiiiigo, taaaaaaaaaals, é que coisas acontecem, e algumas podem ser excepcionalmente boas, outras não, mas quem recebe a mensagem é que interpreta.
Tive uma raiva grande hoje porque não sou bem compreendida por quem mais tem que me compreender no trabalho, que é o cara que pode argumentar pelos recursos que eu peço!, porém, sartrista e não pessimista que sou, a raiva passa, e eu entendo que quem tem de reverter sou eu. Se recebo como se fosse só a porrada, vitimizo e martirizo, não saio do lugar. E dude, this aint my place.
Eu que carrego esses sapatinhos de verniz para frente.
Não a Roda da Fortuna.
Imperatriz das negas dela, não minha.
E não esqueça que domingo, 22, tem mais ópera, dessa vez Tristão e Isolda, de Wagner. É ssim que vc pode exorcizar os demônios do dia-a-dia com Arte, da melhor qualidade, boa e profunda admiradora que é. Lembra do Quintana? "Esses todos que aí estão, atravancando meu caminho...todos eles passarão, eu passarinho."
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