Fico impressionada com gente que consegue cantar coisas tristes e não chorar.
Para ficar no raso, Living on a Prayer do Bon Jovi.
Um casal white trash, liso!, provavelmente vivendo num trailer ou se muito numa shot-thru de madeira pirenta cheia de rato e barata, e estão lá, nessa pro que for, na saúde a na doença, mais na doença inclusive. É uma das coisas mais tristes que eu já ouvi.
E o cara fazendo aquela caretinha anos oitenta, rindo com o cabelo farofa, pulando de legging de couro.
E no profundo eu penso em Help, dos Beatles.
É trágica a sensação de perda da personagem, de solidão, de auto-insuficiência.
E o Paul láááá, balançando a franjinha, com aquela cara de quem tá cantando bom-dia-coleguinha-como-vai. É chocante.
Ainda sobre o Paul, outra coisa que eu ainda não acredito é que ele foi capaz de escrever os versos abaixo:
When you were young and your heart was an open book
you used to say "live and let live"
but if this ever changing world in which we're living makes you give in and cry
live and let die
what does it matter to ya
if you got a job to do, you got to do it well
you got to give the other fella heeeeeeeeeeeell!!!!
Imagina, Sir Paul MacCartney, um sujeito elegante, bom pai, bom marido, um gentleman inglês!, clamando uma atitude nordestina assim!, ou, para ficar em termos de hemisfério norte, some texas taste attitude dessas!
Presto atenção pacas nas palavras.
Gosto que saibam descrever, inclusive coisas com as quais não sou familiar.
Adoro sentir o que o outro sente, adoooro.
Descrevam direitinho!
Adoro descrição.
*in the mood for mike patton*
Ah, Mel, menina observadora de tudo, desvendando as letras e trazendo mastigadinha pra gente que tem o prazer da tua convivência. Eu chorei até da capinha da minha fita k7, que tu mandou pra mim, lá de Brasília, com o gato solitário sobre os prédios! Ow!
ResponderExcluir